No último dia do feirão de usados europeu, Robinho estraçalhou tanto os pâncreas e apêndices que faltou lembrar uma coisa ou outra digna de atenção recatada:
- O Betis tenta, de novo, fazer com que as contratações que parecem boas a princípio sejam boas de verdade no final. Tanto quanto Rafael Sobis que veio esperançoso há uns anos e acabou trocado por 41 dromedários puro-sangue marroquino as novidades do time são animadoras: Sergio García como substituto para Sobis (não que Sergio García seja grande coisa; é um Macedo europeu) e principalmente o lateral-esquerdo Monzón, campeão olímpico com a Argentina e titular do Boca Juniors na temporada passada. Olho nele.
- Falávamos dele outro dia e, no fim,quem acabou levando foi a Juventus: se num futuro próximo Il Bisogno Oddi estiver comparando Iago Falqué a Claudio Gentile, não estranhe, não. Só lembre-se: o menino tem berço no Capotón.
- O Espanyol vive animadíssimo porque não só trouxe um reforço para suprir a saída de Zabaleta como trouxe um reforço que FALA INGLÊS!!! Não interessa se Stephen Finnan não joga nada, não interessa mesmo. O cara saiu do Liverpool para vir jogar na Portuguesa. É como o Roger Waters anunciar que vai fazer turnê no Café Piu-Piu. Não interessa se ele nunca foi nada demais e ainda por cima está longe do auge: o cara era do Pink Floyd e vem aqui embaixo nos visitar (e ainda fala inglês!). Todo clube pequeno sabe: têm coisas na vida que dão orgulho uma vez só, mas valem mais do que três temporadas de sucesso.
- Têm também os retornos: Zigic (Valencia) volta ao Racing Santander para desfrutar do ar rarefeito da Cantábria, que, somado a seus 2,54m de altura, dá barato; e Diego Milito (Zaragoza), que já é bom demais para ir para a segunda divisão, partiu para terminar sua coleção de bustos de Cristóvão Colombo, no Genoa.
Noel Gallagher não sabe nem onde fica Santos. Robinho não sabe nem onde fica Manchester. Hoje, os dois se adoram.
Parece que ao espectro inglório deste Capotón não resta alternativa que não fazer como o oportunista Rochedo de Gibraltar e pedir asilo político na Grã-Bretanha. Ou isso, ou vender seu título nobiliárquico e transformar o baronato de Salamanca-Sur num emirado árabe, ensolarado e unido. Porque pelo jeito isso de Campeonato Espanhol para exportação não vai nos levar a lugar nenhum.
Ronaldo, Ronaldinho e, agora, Robinho. Em um ano e pouco, todo mundo que poderia nos dar a esperança de inventar algum boato escabroso e alavancar a audiência, ou redigir um perfil brilhante e concorrer a um Pullitzer, foi embora. A partir de hoje, informamos que este Capotón abraçará o lunfardo como meio de vida e passará a ser atualizado em caste-CH-ano, exclusivamente com informações sobre Kun Agüero e Leo Messi. Pessoal do Último Segundo, valeu pela força, aparece lá em casa quando der: estamos migrando para o site do Clarín.
O pior de tudo foi a maneira como aconteceu, disse lamurioso o comissário Rodolfo, que é ponderado e dono de meia Salamanca. Claro que foi. A lei do passe acabou sob o argumento de que o trabalhador do futebol não pode ser tratado de forma diferente de qualquer outro trabalhador. Ok. E o espeleologista, digamos, que assina um contrato no qual concorda que só deixa a empresa Marmota Escavações, digamos, sob pagamento de uma multa rescisória de R$ 250, digamos, não pode simplesmente choramingar quando bem entender dizendo que está infeliz e que exige se transferir por R$ 75 para a Tatu-Bola (digamos). Ou até pode, mas deve fazê-lo cara a cara com os responsáveis pela Marmota, explicando seus porquês sob o risco de ser para sempre visto como um mau profissional no exigente e algo bisbilhoteiro meio da espeleologia.
Agora alguém realmente acredita que o que desencadeou a crise manhosa de Robinho foi o fato de ter sido usado como moeda de troca ou elemento de descarte na operação por Cristiano Ronaldo? Mesmo com a negociação do português fracassando, o brasileiro ficou de coração tão sentido por não se sentir valorizado que não quis nunca mais vestir a camisa do Real? Claro que não, foi dinheiro, ponderou o comissário Rodolfo, que sabe do que está falando. O dinheiro. Robinho já ganha milhões. Fez questão absoluta de ganhar ainda mais milhões e por isso quis tanto a transferência? Até certo ponto, sim. Este Capotón, embora nunca ganhe nada, sabe da frase feita; sabe que quanto mais se ganha dinheiro, mais se quer ganhar. Mas não acredita que tenha sido assim tão simples; que a motivação de ganhar 6 milhões no lugar de 5 tenha vindo assim, de impulso, a ponto de levá-lo à constrangedora e infantil entrevista coletiva do domingo. Quando se fala em milhões assim desse jeito, a impressão que dá é de que quem manda no jogo não é quem é bom de bola e recebe milhões, mas sim quem é bom de papo e recebe uma porcentagem desses milhões valor que, aí sim, muda completamente quando há ou não negociação.
Depois, quando este Capotón diz que não entende os que se esgoelam por uma entidade privada, que visa ao lucro como qualquer outra, o pessoal acha ruim. Em 2002, Robinho foi quem fez o clã Polanco ressurgir das cinzas e principalmente dos torneios ATP e voltar a acreditar no futebol como forma de diversão. Hoje, Robinho terminou de atestar (não que fosse preciso) que o mundo é, sim, aqui mesmo, e que o futebol faz parte dele.
Os clubes espanhóis gastaram até aqui neste verão 267,1 milhões de euros. É muito, claro, mas é pouco: no ano passado, os 20 times da primeira divisão totalizaram 541 milhões de euros em contratações. Agora, nestes cinco dias que faltam para o fechamento do mercado, por mais que o Real Madrid já tenha oferecido 14º salário, 15% de luvas e participação nos lucros até para os pipoqueiros que se destacaram na temporada passada, a cifra não vai chegar nem perto do que foi em 2007. Recessão, eleições nos EUA, arrocho econômico global: claro que nós todos sabemos a razão para o investimento ter diminuído (mentira; na verdade nenhum de nós faz a menor idéia). Por isso, deixemos de lado qualquer coisa que possa ser interpretada como artigo analítico, obra ensaística ou frescura e vamos ao que interessa: o que está realmente próximo de acontecer:
No Espanyol, a saída do bom (mas menos bom do que começaram a achar que ele é) Riera é certa. Até amanhã, o Liverpool deve oficializar sua compra, por 9 milhões de euros. A Juventus, enquanto isso, pensa seriamente em pagar os 8 milhões de euros da cláusula de rescisão do lateral-direito campeão olímpico com a Argentina Zabaleta. Outro campeão olímpico, o zagueiro Pareja, interessa aos pericos, assim como o atacante Sergio García.
O Barça provavelmente não muda mais. Tanto o russo Arshavin, como o argentino Rodrigo Palacio, como o brasileiro Hernanes devem ficar só para o ano que vem.
Já o Betis oficializou a chegada do lateral-direito português Nelson, do Benfica (que se alguém conhecer e puder dar alguma referência, nem que seja mentira, agradecemos), e está a um passo de fechar com dois reforços interessantes (como eram Mark González, Rafael Sobis e Odonkor, que até hoje não funcionaram, mas enfim): o mexicano Nery Castillo que estava emprestado ao Manchester City e o bom lateral-esquerdo do Boca Juniors (e mais um campeão olímpico) Luciano Monzón .
O Racing Santander - que, ao contrário do que dizem boatos disseminados via Orkut, ainda existe não sabe mais onde procurar um segundo volante. Ouviu dizer que o ganês Stephen Appiah - que, ao contrário do que dizem boatos disseminados via Orkut, ainda existe está se recuperando bem de sua cirurgia no joelho. O Fenerbahçe garante que topa liberá-lo de graça e ainda paga uma rodada de Steinhaeger para todo mundo. Os turcos, que agora têm Luis Aragonés no comando, começam a sofrer a espanholização que já aconteceu no Liverpool de Rafa Benítez: depois de Dani Güiza, agora foi a vez de Josico, do Villarreal - que renovou com o Cazorla, um dos muitos alvos do Real Madrid. Os merengues bateram o recorde de dinheiro não-gasto numa pré-temporada e, depois de não pagar 85 milhões de euros por Cristiano Ronaldo, agora não desembolsaram 40 milhões de euros por David Villa não somando o impressionante total de 125 milhões de euros por uma dupla de ataque. Villa aumentou seu contrato com o Valencia até 2014 e já disse que está feliz da vida.
Não bastasse ter se apropriado indevidamente do apelido Liga de las Estrellas, que há tempos caracteriza o circuito amador de luta livre de Omaha, Nebraska, a primeira divisão do futebol espanhol agora espera que os milhões de fãs país afora se refiram à alegria de todos os domingos como Liga BBVA o que seria mais ou menos o equivalente a se referir a Pulp Fiction como Tempo de Violência, ou trocar um nome de chocolate de Lollo para Milkybar, ou seja, absurdo e impossível.
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A lista de destaques da divisão de base do Barcelona que antes mesmo de subir para o time principal já são aliciados pelas libras esterlinas pode aumentar. Agora é a vez do meia canhoto Iago Falqué - depois de Cesc Fàbregas, Fran Mérida e Gerard Piqué (que agora volta ao clube, comprado por 5 milhões de euros. O que nos desperta a dúvida: o Barcelona tem que pagar ao Barcelona o percentual pelos direitos de formação do jogador?).
Estranhamente, disseram ao garoto que ele não fazia parte dos planos do Barça B para esta temporada. Ninguém entendeu, muito menos ele - que decidiu que prefere, então, ir embora. Mas, de repente, além do medo de perder outro jogador de graça antes mesmo de ser formado, o Barça se deu conta de que garotos como Pedro e Jeffren têm sido usados até no time principal e disse que das duas uma: ou o menino fica, ou sai, mas com uma cláusula de recompra, por preço baixo.
Acho que já falamos dele outro dia, um tempo atrás, mas, na dúvida, vai outra vez o cartão de visitas do menino. Quando fazia seu mestrado em ictiologia em en San Jerónimo de los Pucheros, este Capotón andou vendo torneios da seleção espanhola sub-19. Falqué é bom. E, melhor, é meia de verdade.
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O Sevilla já andava recebendo críticas por ter pago 12 milhões de euros ao PSV por Arouna Koné, que não jogou nada na temporada passada. Agora que era hora da virada, de o marfilense provar que não foi dinheiro gasto à toa, um amistoso contra Guiné complicou tudo: hoje o médico do Sevilla, conhecido universalmente pelo pseudônimo minimalista de doctor Muñoz, confirmou que o diagnóstico da lesão de Koné é um desastre: Ele rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e teve afetados os dois meniscos. Além disso, tanto o ligamento colateral interno como o externo sofreram estiramento de grau 1 ou 2, resumiu o pajé holístico andaluz, um especialista em enxergar o lado positivo da vida. Fora isso, aparentemente, não há nenhuma outra estrutura danificada, concluiu o doctor Muñoz, referindo-se, claro, ao fato animador de que Koné segue respirando sem o auxílio de aparelhos.
O Infante Juan de Salamanca praticava horas por dia para manter sua vaga na delegação olímpica espanhola do salto sobre cavalo.
Os príncipes, emires e cachalotes que tentam nos ler com assiduidade certamente entenderão que, em tempos de Olimpíada, a jornada útil se reduz a meio período, sobretudo considerando que este Barão se trata de um antigo campeão troiano do salto sobre o cavalo. As atualizações, portanto, são por enquanto breves:
- Todo mundo sabe que este Capotón tem uma indisfarçável queda pelas teorias macroeconômicas, como pelas batatas-baroa. Por isso é que uma história como essa faz o nosso dia mais feliz, veja lá: o Racing Santander corre o risco de ter que jogar sua primeira partida da Copa da UEFA fora de seu estádio. Isso porque até hoje o pessoal ainda não começou a fazer as reformas no El Sardinero que, segundo a UEFA, precisa de mudanças na iluminação, no acesso para os deficientes e nas instalações para a imprensa. O que acontece, então? Segundo se diz por aí, acabou o dinheiro do Racing, que na temporada passada gastou quase 50% a mais do que seu orçamento. Parte do buraco seria resultado do calote que o clube levou do Valencia, que até hoje não teria pago pelo centroavante Nikola Zigic (baseado no Código de Defesa do Consumidor, que lhe dá o direito de solicitar o dinheiro de volta ou cancelar o pagamento em caso de mau funcionamento). Por sua vez, o presidente do Valencia Vicente Soriano anuncia que o clube tem uma dívida de 650 milhões de euros. Resultado: que ninguém estranhe se acontecer com os cantábricos aquilo que o Celta de Vigo viveu duas temporadas atrás: ao mesmo tempo em que jogou (e deu vexame) na Copa da UEFA, o time caiu para a segunda divisão.
- E por que diabos você poderia querer saber do Racing Santander, com tantos documentários de astronomia dando mole por aí? Se o que você quer é boato e Barcelona, então vamos lá: o ala esquerdo da vez depois da tentativa frustrada de David Silva é Diego Capel, cuja contratação serviria para oficializar no Sevilla a condição de equipe de aspirantes. A multa rescisória do contrato de Capel é de 16 milhões de euros pouco, considerando que é alguém de 20 anos que acaba de chegar à seleção (e considerando que ele ainda agüente muito tempo sem que alguém arranque um de seus joelhos fora de tanto tomar pancada).
Como o planeta todo já sabia, mas fingia que não, com ou sem Lionel Messi o Barcelona passou como quis pelo Wisla Cracovia e praticamente assegurou lugar na Liga dos Campeões da UEFA. Já dava para esperar quase tudo o que aconteceu, como as boas partidas de Etoo que já atuou como alguém confirmado para o elenco e de Henry por sua vez, confirmado como alguém da confiança de Pep Guardiola. Keita é uma excelente aposta para render da mesma forma que Iniesta e Xavi, ou seja, defendendo e atacando, e Dani Alves é o lateral-direito-de-verdade que o clube vem buscando desde... desde... pelo menos 20 anos (Ferrer, Reiziger, Puyol, Belletti, Oleguer, Zambrotta...).
De surpresa mesmo, só a presença de Hleb no banco e de uma das primeiras marcas de Guardiola: ex-técnico do Barça B, ele deixou clara sua confiança no garoto Pedro, de 21 anos, que fez sua primeira partida como titular do time principal. Na verdade, não é nada muito diferente do que já era a equipe da temporada passada, mas isso já se sabia: trocar de técnico foi uma medida psicológica e anímica.
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Quem devia, sim, estar lamentando ter um argentino Pequim é o Atlético de Madri: sem Kun Agüero, saiu atrás numa disputa que mais parece a fase principal da Liga dos Campeões. Com a vitória por 1-0 em casa, o Schalke 04 não tem nada garantido, mas seguramente adora saber que, na partida de volta, vai novamente temer Sinama-Pongolle, e não Agüero.
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Se ao ser contratado Dani Güiza já foi recebido assim, imagina como ele não vai andar nas ruas de Istambul se continuar marcando gols decisivos como o do empate de 2-2 (após estar perdendo por 2-0) contra o Partizan de Belgrado:
O torneio olímpico de futebol, afinal, é importante ou não é? Todo mundo já sabe mais ou menos qual é o dilema: não pode virar importante demais, porque senão ofusca a Copa do Mundo. Mas, afinal, poxa, são os Jogos Olímpicos. Se o torneio acaba virando o que foi em Barcelona-1992, por exemplo, com desinteresse total e uma final esquisita entre Espanha e Polônia, acaba sendo ruim para o próprio futebol, é ou não é? Como seria também mau para o futebol, opinam alguns, tornar-se a única diva que decide por conta própria não participar da Olimpíada, apesar de ser o esporte mais popular do mundo.
O impasse é assunto desde 1930: a FIFA só criou a Copa do Mundo porque se deu conta de que era, supostamente, a entidade responsável pelo futebol mundial, mas não tinha nada a ver com o maior torneio da modalidade, que na época eram os Jogos Olímpicos (sobretudo as duas edições anteriores, as do famoso bicampeonato do Uruguai). Desde então, já se tentou de tudo: apenas amadores, apenas menores de 23, apenas quem não jogou Copa do Mundo. Segundo o presidente da FIFA já anunciou, para a próxima edição haverá mudanças, e o mais provável é que o torneio passe a ser sub-20. O que dará margem a outro conflito desta vez com o Mundial sub-20 da FIFA, que acontece a cada dois anos.
Já que o assunto é Espanha, dizemos isso tudo só para poder pensar que, se fosse para transformar o torneio olímpico realmente numa disputa entre os melhores times do mundo sub-23, seria difícil não esperar a Espanha entre as favoritas. Imagina só, com ajudinha de um goleiro e um atacante, por exemplo: Casillas, Sergio Ramos, Albiol, Piqué e Diego Capel; Raúl García, De La Red, Cesc Fàbregas e David Silva; Bojan Krkic e David Villa. É ou não é time para brigar pelo ouro? E, se é, por que os campeões europeus não estão lá? Porque foi em 2006, dois enormes anos atrás, naquela era cenozóica em que o TV On The Radio lançou Return to Cookie Mountain, que uma derrota por 2-1 para a Itália tirou o país da briga. No mínimo esquisito, não é não?
À primeira vista, parece um absurdo e um contra-senso: o Barcelona insiste para que Messi não seja liberado, contesta a recomendação da FIFA e leva o caso para a Corte Arbitral do Esporte. Quando finalmente esta decide que o clube tem, sim, todo o direito de pedir que Messi volte da China, Pep Guardiola e Txiki Bergiristain aparecem para dizer que vamos deixar Messi cumprir seu desejo e ser feliz e temos que avançar na fase prévia da Champions com ou sem ele.
Mas é claro que o Barcelona não quer ver chateado um garoto que é boa gente e que representa 80% do presente e do futuro do clube . Dentro do Barça, faz tempo que todos sabiam que Messi iria para Pequim e lá ficaria. Laporta só continuou na briga para ver se garantia alguma limitação nas convocações do argentino para o futuro (como conseguiu) e, principalmente, para marcar mais um ponto na briga eterna entre FIFA /Confederações /Federações x Clubes (o que também aconteceu, e o golpe foi acusado). Resultado: além do parecer a seu favor, o Barça sai com a imagem de bom-moço que respeitou seu jogador e o espírito olímpico e ainda vê seu craque se valorizando ainda mais.
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Tenho a impressão de que, em meio à multidão que se levantou extasiada às 6h da manhã porque sabia quão espetacular seria a estréia da seleção olímpica, pelo menos uma pessoa não comemorou de verdade o gol de Hernanes: Muricy Ramalho.
Porque se antes já andava complicado manter o volante no São Paulo, ontem foi a hora em que os dirigentes dos clubes aqueles que têm o dinheiro ligaram para os funcionários do departamento técnico aqueles que têm os olheiros espalhados pelo mundo e disseram:
- Caraca, por que é que a gente não está atrás desse menino do Brasil?
- Mas, presidente, nós estamos. Oferecemos 15 milhões de euros, mas os caras querem pelo menos 20.
- E quem foi o cretino que não quis aumentar essa proposta?
- Hmmm... presidente... Pois não, presidente, vamos providenciar uma nova oferta.
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Você evidentemente tem passado os últimos dias e noites preocupado - além de com o vexatório uso das algemas, que é o que afunda este País com o paradeiro de Frank Rijkaard. Nós também, e não conseguíamos descansar enquanto não encontrássemos o que andava fazendo nosso Teddy Ruxpin, regaae hero e reinventor do 4-3-3.
Finalmente descobrimos: cansado da pressão e do jeito almofadinha de Joan Laporta, Rijkaard pendurou seu violão Takamine no ombro, tirou do armário aquela pasta com os livrinhos de música do Djavan e pôs o pé na estrada.
O Real Madrid conseguiu acabar completamente com a arte de avaliar contratações ou pelo menos as contratações que ele próprio, Real, faz.
Porque se você observa assim feito uma pessoa séria, olhando os fatos essenciais por eles só, temos: o time pagou relativamente pouco (e soa ridículo dizer isso sobre 13 milhões de euros, principalmente quando foi o próprio Madrid um dos grandes responsáveis por permitir que uma fortuna dessas pudesse ser chamada de pouco no mercado) por um meio-campista desses que há poucos no mundo e que preenche justamente uma vaga que faltava no time, a de alguém capaz de criar no meio-campo sem ser na verdade um segundo volante (como Sneijder), uma locomotiva baseada mais em vigor e arrancada do que em passes (como Julio Baptista), ou uma boneca inflável (como Guti). Ou seja: grande negócio, uma das melhores contratações do Real nos últimos anos.
E então você se lembra que nem sempre os jogadores comprados pelo Real são trazidos realmente para jogar. Ou nem sempre são trazidos tendo isso como primeiro critério: precisamos de alguém que jogue assim. Vamos buscar. A mentalidade é muito mais a de acumular talentos porque quase todo mundo que o Madrid trouxe nos últimos 10 anos é talentoso, com exceções como Drenthe para confirmar a regra como se fossem chapéus-panamá. Não fosse hoje uma segunda-feira, usaríamos o teorema do valor marginal para explicar a política-Daslu de contratação dos madrlienos embora talvez fosse complicado explicar à matemática ingênua o conceito de marketing de pré-temporada.
Se Van der Vaart tiver vindo para formar parte de um time e não só ser mais uma caixinha de música, foi o negócio do verão, pode apostar. Se a idéia for só a de continuar empilhando gente que sabe jogar bola, também pode acabar dando relativamente certo como já deu nos dois últimos anos. O que frustra não são resultados, mas apenas pensar o que poderia ser desse Real Madrid se todo mundo que chegasse viesse com a intenção de cumprir algum papel: o time jogaria mais bonito e sobraria mais gente boa de bola para ser contratada e utilizada de verdade pelos clubes por aí. Mas o dumping, para quem tem dinheiro, sempre acaba sendo irresistível.
Se alguém puder elucidar, agradecemos: Robinho quer sair do Real Madrid, mas na verdade só porque o Real se mostrou interessado por Cristiano Ronaldo o que faria dele, mais do que nunca, reserva. Por outro lado, se o negócio com Cristiano Ronaldo não der certo, Robinho também não vai ficar guardando mágoa nem mesmo a mágoa de não ir à Olimpíada. Afinal, Madri é bonita, agitada à noite, o idioma só tem 4 ou 5 palavras de diferente do português, é isso aí. Ou também não: quem queria levar Robinho para o Chelsea era seu empresário, mas para ele no fim dava tudo mais ou menos na mesma. Felipão é gente fina, lógico, mas Londres é fria, cinza e o pessoal ouve rock. Tudo termina de um jeito que já não dá para saber quem gosta do quê: se Robinho de jogar no Real Madrid, se o Real Madrid de contar com Robinho.
O que é certo é que Robinho, por mais que tenha highlights para encher um DVD inteiro, ainda não foi um grande jogador com a camisa do Real Madrid. Fez grandes jogadas e partidas, mas não foi decisivo uma temporada inteira como, exemplo fortuito, Cristiano Ronaldo foi para o Manchester United na temporada passada. Só que Robinho é o tipo de sujeito sobre quem é muito fácil dizer: no time certo, ele pode virar uma estrela de verdade. O duro é que um cara com o talento dele pode acabar passando a vida toda sem achar o time certo. Ou ainda: hoje, pode simplesmente não existir time certo para Robinho. Assim, por puro acaso, não por tendência. Porque a vida, como o futebol (ou era ao contrário?) também depende de sorte, como diria o Paulinho McLaren.
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Notável a presença de espírito dos dirigentes do Mallorca ao acabar com intermediários e meias-palavras e abraçar de vez o projeto de transformar o clube no mais chato da liga. O processo foi gradual e bem-pensado:
a) trocou-se um dos nomes de estádio mais misteriosos Son Moix, que fazia meio-mundo achar que aquilo era território francês pelo de uma empresa de telefonia;
b) venderam-se três dos quatro únicos jogadores que geravam algum interesse nos 16 torcedores que freqüentavam o estádio na temporada passada: Jonás Gutiérrez, Dani Güiza e Ariel Ibagaza (falta Arango);
c) anunciou-se a intenção de fazer como o resto da ilha e vender também o clube para os ingleses
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Sorteio do dia: na fase prévia da Liga dos Campeões, o Barcelona aguarda o vencedor de Beitar Jersualém (ISR) e Wisla Cracovia (POL), enquanto o Atlético de Madri, azarado como lhe é dado por natureza, já sai de cara enfrentando o Schalke 04. enviada por Juan Polanco
Um curso de arvorismo e duas mordidas de esquilo vermelho depois, eis que estamos prontos para retomar o curso natural do Apocalipse espanhol. Não que haja tanto assim a ser dito, descontando aquilo que é diz-que-diz-que, mas aqui estamos para tentar deixar algumas coisas mais claras, além do cabelo queimado pelo sol do verão alemão.
Agora vão faltar só os torcedores.
- Parece incrível e ainda é, enquanto a coisa não fica realmente pronta - mas finalmente chegou a temporada em que o Espanyol não vai mais mandar seus jogos em Montjuïc, um estádio que, além de ficar num ponto inatingível no alto da montanha, tem a pior visibilidade de todos os campos de futebol que este Capotón já visitou. A nova casa perica deverá ficar pronta em fevereiro ou março do ano que vem, quase 6 anos depois da apresentação da pedra fundamental. O Nou Estadi fica numa gigantesca área no meio de um nada em Cornellà de Llobregat, cidade da grande Barcelona. O lugar é feio e algo ermo, mas pelo menos é uma região que tem fácil acesso de transporte público e com cada vez mais moradores que fogem dos preços absurdos dos imóveis dentro de Barcelona. Pode ser o primeiro passo para a simpática Portuguesa de Barcelona voltar a ser (ou passar a ser?) um clube para ser levado a sério.
- Depois de andar de lá para cá com uma etiqueta de VENDE-SE do tamanho de Iaundé, Samuel Etoo no fim das contas bem pode acabar lá mesmo no Camp Nou. Depois das dificuldades para negociar com Adebayor, Drogba e aquela outra dúzia de centroavantes que já foram capa do El Mundo Deportivo, a diretoria do Barça já pensa na possibilidade de esquecer o que passou e tentar recuperar o ânimo do camaronês. (Isso se o Valencia não resolver realmente levar em frente a investida que está prometendo.) E então fica a pergunta: será que o clube não estará recuperando o craque errado?
O esquilo vermelho é um dos poucos resquícios de comunismo organizado na Europa
Primeirissimamente, que bom ouvir discussões como as do episódio winger-do-Wenger abaixo. Este Capotón não tem comentaristas, mas sim colegas de cátedra. Somos poucos, mas somos os que mudamos o mundo, como diziam os Cavaleiros do Apocalipse.
Outra coisa é que este Capotón está envolvido num projeto que nos manterá durante mais uma semana enfurnados numa estação de observação de esquilos nas florestas de Baden-Württemberg (não confundir com Baader-Meinhof) e que além do mais não nos dá muita chance de avaliar o que anda acontecendo no mercado. A conexão sem-fio é severamente prejudicada em qualquer região de coníferas gigantescas, mas quando além do mais você está num reduto de esquilos curiosos e vingativos, que vivem detonando os cabos de eletricidade, a situação não permite muita reportagem exclusiva.
Enfim, destaques aqui e lá:
- Se continuar respeitando o seu plano de carreira, tudo indica que no ano que vem Pablo Aimar assinará com o River Plate e, depois de um ano jogando menos do que pode, se tornará a contratação bombástica do Grêmio (ou do Pachuca?). Para quem deveria ser a grande estrela do Valencia durante anos, tentar a vida no Zaragoza já foi duvidoso. Agora, Portugal. De repente ele leva o Benfica a um título da Copa da UEFA, ou vira o antagonista perfeito de Romagnoli, quer dizer, não é o fim do mundo, nem nenhuma vergonha. Mas, olhando seu início no River Plate e lembrando de alguns momentos do rapaz com o Valencia e com a Argentina anos atrás, não parece pouco?
- Não é a primeira vez que este Capotón tira o chapéu (Panamá) para Monchi, o homem responsável por contratar e descontratar no Sevilla. Christian Poulsen chegou vindo do Schalke 04, de graça, porque seu contrato já havia terminado. Agora, deixa 10 milhões de euros no caixa do Sevilla que ainda por cima perde uma peça que, honestamente, não faz nenhuma grande diferença. Entre ele, Daniel Alves e Keita três jogadores que, juntos, custaram menos de 2 milhões de euros - o clube já lucrou 56 milhões. Se gente como Lautaro Acosta, Konko e Squillaci resultar no mesmo sucesso, não estranhem.
Ronaldinho no Milan? Será que já não foi tudo falado? Deixa a gente pensar mais um pouco.
Nosso eleitorado pré-socrático que nos desculpe, mas é que não anda fácil encontrar tempo, mas principalmente assunto, nos últimos dias. A não ser que você queira saber quem está de olho em quem, ou qual clube cogita qualquer coisa, em cujo caso o melhor mesmo é entrar na home page dos grandes jornais esportivos da Espanha, aceitar de bom grado mais uma mentira e manter a fantasia da humanidade viva, o que afinal também não é mau negócio.
(Em cujo caso foram provavelmente as três palavras mais espetaculares jamais perpetradas por este Capotón num dia de temperatura moderada. E aposto que você nem tinha percebido.)
Hoje, só um caso pareceu digno de menção no meio dos tantos nomes e boatos - que neste ano começaram a pipocar mais tarde por causa da Eurocopa (ou UEFA Euro 2008, que por contrato os narradores brasileiros tinham que chamar assim, momento em que sempre engasgavam e mudavam ligeiramente o tom de voz, como quando você se dirige a alguém importante e por um instante esquece que tem que chamá-lo de senhor e não de você).
É que todos garantem que está confirmada, embora só falte confirmação, a chegada ao Barcelona do bielo-russo Hleb, do Arsenal. Que não apenas é, essencialmente, o mesmo jogador que Hernanes um segundo volante com mais qualidade do que o habitual e, por isso, muitas vezes transformado em meia -, mas que custou (ou teria custado, ou custaria, ou vai custar) exatamente a quantia que o São Paulo recusou pelo pernambucano: 15 milhões de euros. Se o Barça achava os 25 milhões de euros pedidos pelo São Paulo dinheiro demais, imagina só agora que, além disso tudo, tem mais um sujeito para a posição?
Depois das moedas de prata, do sangue dos índios mapuche e de quilos e quilos de bife de chorizo tipo exportação, os espanhóis cravaram mais uma adaga nas costelas argentinas, naquela que, segundo o presidente do Boca Juniors, Pedro Pompilio, foi uma operação de pirataria disfarçada.
Falamos de Sebastián Nayar, meia de 20 anos cuja contratação foi anunciada esta semana pelo Recreativo de Huelva. O contrato do garoto venceu em 30 de junho, e o Boca Juniors diz que o renovou até 2012. Mas os agentes de Nayar alegam que a extensão do contrato foi feita unilateralmente o que é proibido e, portanto, o garoto está livre e desimpedido para ajudar o Recre a ser rebaixado na temporada que vem.
Só que a influência ítalo-vingativa não passou despercebida nos portenhos, especificamente nos xeneizes. Exibindo dois caninos afiados um branco e o outro em ouro 18 quilates -, Pompilio deu uma daquelas declarações que fazem a alegria deste Capotón.
Vamos bater na porta do presidente do Recreativo (Francisco Mendoza) e ele vai ter que nos atender, assegurou Pompilio, que tem os ossos da mão calcificados por episódios semelhantes de esmurramento de porta. Estão saqueando o clube. São os mesmos empresários eu levaram Oscar Trejo ao Mallorca. Eles usam um método sem escrúpulos para ganhar dinheiro. Mas desta vez eles não vão fazer de novo.
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Outros breves destaques de contratações recentes:
- O Atlético de Madri retirou seu diploma de pós-graduação em goleiros médios, mas que já jogaram na seleção de seu país. Depois de Leo Franco e Abbiati, chegou a vez de Gregory Coupet, que vai jogar baccarat na concentração em parceria com Sinama-Pongolle, o ex-futuro Henry.
- Mehmet Aurélio, que ficou famoso por ser brasileiros, mesmo sendo turco, ou vice-versa, ou nem sequer ficou famoso, vai para o Betis fazer não sei o quê.
- Sunny Sunday, um dos preferidos do nosso predecessor neste Capotón, vai se tornar o destaque do Osasuna, pode escrever. Principalmente agora que estará mais perto de seus primos Stormy Monday e Ruby Tuesday.
- Reparem no Villarreal, que já foi o vice-campeão ano passado e agora tem, além de um Marcos Senna confiante, um punhado de contratações interessantes: Edmílson (que ainda pode voltar a ser bom zagueiro), Damián El Pichi Escudero (meia do Vélez Sarsfield) e Ariel El Caño Ibagaza (que se decidir que é isso que quer, pode ser um dos melhores meias da Liga).
Os camaradas me cobram, alegam queimadura de língua e se chateiam, mas queiram me dizer se um Luis Aragonés e um Fernando Torres para engolir e duas apostas para pagar uma entrega do Dominos Pizza e uma currywurst com cerveja Paulaner não compensam 40 anos sem título?
Pelos tais 40 anos e principalmente pela maneira como a Espanha jogou toda a Eurocopa, é tentador chamar um título assim de uma nova era. Mas, mesmo sem ter contra quem apostar desta vez, mantenho a chatice que vem dando certo: calma. Uma coisa não está necessariamente relacionada à outra, vide a Holanda de 1988: depois de décadas de talento e jogo ofensivo associado à fama de ficar no quase, uma nova geração talentosa mudou o rumo e, além de encantar a todos, saiu da Euro com o título na bagagem. Hoje, 20 anos depois, qual é a fama da Holanda? De jogar como nunca e perder como sempre a mesma que os espanhóis carregavam até ontem.
Se existe algo de tendência na história toda e talvez não exista; e de repente o que dizemos aqui também é uma tremenda bobagem -, é que uma fama se desfez: a de que a Espanha tem um excelente campeonato, mas uma seleção que não presta para muita coisa. De novo: não é que uma coisa seja conseqüência da outra. As equipes espanholas continuam tendo dinheiro e continuam comprando jogadores estrangeiros a granel, como se fossem tremoço. Talvez seja apenas o nível dessas contratações que caiu, por incompetência, má sorte ou cúspide astral. Mas o fato é que, no momento em que o Campeonato Espanhol mais perde pontos na briga para ser o melhor do planeta e a última temporada insossa só ajudou o processo -, a seleção sai da toca e se coloca ao lado de Pau Gasol, Fernando Alonso e Rafa Nadal na lista de grandes vencedores.
Exagerando um pouco mais no raciocínio (se é que ainda há algum depois de tanto cava): enquanto isso, a Inglaterra, que hoje tem os dois finalistas da Champions e cujo campeonato recebe os melhores jogadores do mundo (espanhóis inclusive, e depois desse título pode crer que eles serão mais ainda), nem se classificou para a Euro.
Tudo mera coincidência, e o que escrevemos aqui hoje poderia estar sendo escrito ao contrário, não fossem pequenos detalhes e vicissitudes que não têm nada a ver com análise nem lógica nenhuma? Acho que sim, mas a história se faz assim mesmo: alguma coisa tem que ser dita. Mesmo quando o mais correto talvez fosse abrir outro cava e reverberar apenas o é campeão!.
Esta celebração foi trazida a você por: Raventós i Blanc. Sem ele, a cava cai. enviada por Juan Polanco
Juan Polanco
É Barão de Salamanca, mas nasceu em Uniéjøw, Polônia, como forma de protesto. Desde a pré-puberdade vive no Brasil,
onde trabalha como correspondente para o diário El Pueblo, de Castilla y León. Come com gosto os órgãos
internos de quadrúpedes e aves e, a cada dois anos, tenta de novo ler James Joyce. Não contém glúten.